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Saiba por que o Brasil foi escala, e estaleiro, na era da vela

No período das grandes navegações o Brasil foi o melhor estaleiro para as naus lusas. Depois, tornou-se escala para os Mares do Sul

Brasil foi escala, e estaleiro, na era da vela. Por mais de três séculos, a única forma de chegar era através dos mares. Como se sabe, somos fruto da epopéia náutica lusitana, um dos maiores acontecimentos da história mundial. E nos séculos 16 e 17, especialmente, as embarcações que para cá vieram eram simples e precárias. Além disso, não havia cartas náuticas, nosso litoral era uma grande incógnita. Tudo isso resultou numa série interminável de acidentes, os naufrágios do Brasil.

As riquezas da nova terra atraem piratas, aventureiros, e outras nações

Logo depois da “descoberta” espalhou-se na Europa, devido especialmente às cartas e viagens de Américo Vespúcio ao Brasil, notícias sobre as riquezas da nova terra. Foi o suficiente para despertar o imaginário da época. Já em 1525 os franceses invadiram o novo país e  fixaram uma colônia na baía de Guanabara, a França Antártica. Piratas vieram aos montes para estas plagas. “O mapa de Jan Janes (abaixo), descreve a invasão do corsário holandês Spilbergen em 1615 e mostra que o porto de São Vicente teria, na época, duas barras, por onde entrariam grandes navios: vê-se até um galeão holandês fundeado defronte à Praia de Paranapuã.(do blogcaicara)”

Brasil foi escala, e estaleiro, na era da vela.





Fernão de Magalhães e Thomas Cavendish

Entre outros navegadores e piratas famosos que estiveram por aqui, ainda no século da descoberta, estão Fernão de Magalhães que, antes de descobrir o estreito que leva seu nome e realizar a primeira circunavegação do globo, fundeou no Rio de Janeiro por uma semana para reabastecimento (1522) . Pouco depois, o terceiro a circunavegar o planeta foi o pirata Thomas Cavendish (1586). O inglês infernizou a costa brasileira. Incendiou construções de Ilha Grande, aprisionou navios, fundeou em Ilhabela, de onde ordenou a destruição de Santos e São Vicente. Azucrinou. E a cada vez que isso acontecia, mais navios iam a pique…

Brasil foi escala, e estaleiro, na era da vela

Logo depois do desembarque de Cabral, os fantásticos nautas lusos perceberam que o Brasil seria a melhor escala para a Carreira das Índias, as longas e perigosas viagens que fizeram a partir do momento que Vasco da Gama cruzou o Cabo da Boa Esperança. Naqueles séculos longínquos, as naus e caravelas não duravam muito mais que um par de meses, precisavam ser reparadas na ida ou na volta às Índias. Qual o melhor local ? O mapa do Brasil, de Giovanni Battista Ramusio, Veneza 1556, mostra claramente. Pode-se ver os nativos cortando madeira de lei para reparar naus e caravelas, além das próprias embarcações como que esperando os reparos que seriam feitos. O que quer dizer tudo isso? Mais naufrágios na costa brasileira.

Brasil foi escala, e estaleiro, na era da vela…Mapa de 1556


Não foi por outro motivo que o maior navio do mundo até então construído, no século 17, foi o Galeão Padre Eterno, made in Brazil. E foi ainda neste século que sofremos outra invasão de mais um povo navegador: os holandeses, que se fixaram no Nordeste. Mais uma vez houve escaramuças e batalhas navais durante os mais de 30 anos em que ficaram por aqui. Desde a invasão da Bahia, em 1621, até serem expulsos de Pernambuco, em 1654. Isso significa que mais navios, montes deles, foram parar no fundo do mar.

Nos séculos 18 e 19 o Rio de Janeiro entra na Rota dos Mares do Sul

Nosso destino está inexoravelmente ligado ao mar e à navegação. Só os brasileiros não sabem. Infelizmente, com o baixíssimo nível de ensino que existe no país de Macunaíma, o herói sem caráter, essas são consideradas ‘questões menores’ que as escolas de nível médio, e até as Universidades, passam geralmente por elas, de forma insignificante. Não por outro motivo nosso litoral está ao deus-dará e, mesmo assim, não desperta a menor comiseração para a maioria dos brasileiros. O fato é que quando as nações imperialistas da época, especialmente Inglaterra e França, começaram a explorar os Mares do Sul, novamente a parada obrigatória, em razão das distâncias, das correntes marinhas e da direção dos ventos, era o Rio de Janeiro. De James Cook na viagem do Endeavour, 1768; até Oswald Brierly, a bordo da Galatea, 1867, todos fizeram suas paradas no Rio. Até mesmo Darwin. E, mais uma vez, isso significa mais tráfego naval, e maiores possibilidades de naufrágios. O Rio também foi parada obrigatória para os navios ingleses da carreira da Austrália desde que a “First Fleet” (a frota inglesa que levou os primeiros 1.300 degredados e soldados para a Austrália em 1788) ali fundeou.”

Por

João Lara Mesquita

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